De caracolitos arranjados, arranjei as minhas unhas. Com o verniz a secar, bati numa gaveta e tramou-se tudo. Toca a pintar de novo. Maquilhagem, dedicação extrema a disfarçar a borbulha que decidiu aparecer em dia imprópio. Estragar as fotos não ia acontecer. Eis que se funde a lâmpada do espelho: "cum camano...!" Olhei para as horas e constatar o atraso, a pilha do relógio decidiu acabar neste dia. Tudo normal. Fui engomar o meu lindo vestido e graças a Deus comecei pela pontinha das faixas de metro e meio. Não reparo que o ferro de engomar não tem água, dou com ele em cima da faixa e... começa a arder! Poisoned Apple bateu furiosamente na tábua de engomar a ver se salvava o vestido. Não queimei as mãos, apaguei o fogo e só disse "porra!". Não sei onde tinha a cabeça para descomprimir de forma tão singela. Olhei para o buraco com 5 cm de diâmetro e vá lá que tenho máquina de costura em casa. Decidi cortar a ponta da faixa e coser a bainha. Uns 20 minutos de costura a pensar "já lá devia estar há meia-hora".
Consegui, calcei o sapatinho novo, peguei na máquina fotográfica e constatei que estava quase sem bateria. Enfiei os cabos no bolso do casaco e mais parecia que transportava um chouriço. Na rua, quase parti os dentes, pois os sapatos escorregavam. Não estava para aturar aquilo e fui de raspá-los no alcatrão, furiosamente como cão que procura um osso enterrado. O princesa-mobil apresentava uma fina camada de gelo no vidro, não tinha hipótese de conduzir e nunca tinha visto aquilo a não ser em filmes. Eu sabia lá como é que se tirava aquilo! Resolvido com cinco minutos de limpa pára-brisas e as escovas todas fodi***.
Cheguei à boda apenas com uma hora e dez minutos de atraso e tudo começou a correr bem. A noiva estava linda, os amigos maravilhosos, aprovei o até então desconhecido homem da Pipoca, comi bem, bem, bem, ri, dancei, até que a noiva insistiu que fosse apanhar o ramo quando toda a gente sabe que não quero casar. Não podia fazer a desfeita, mas se é para ir apanhar, apanha-se a sério! No meio de duzentas e tal pessoas, levantei o braço e gritei "alto!" Não me ia espalhar no chão e viver a humilhação da minha vida. Assim, descalcei os calcantes e, imagine-se, o ramo veio directo a mim, não tive hipótese. É já o terceiro casamento consecutivo que apanho o ramo da noiva e corro sérios riscos de deixar de ser convidada.
PS - Quando cheguei a casa dei com a máquina fotográfica no chão e vi que alguém se tinha encostado a mim com um qualquer cigarrito, nova queimadura em forma de buraco no meu lindo vestido. Moral da história: há sedas que ardem, minhas filhas!
11 caroço(s):
Tantas peripécias para chegar ao casamento! Sinal do destino. Ou então não. São amigos, é para divertir, aproveitar. Foi apenas um grande teste à capacidade de resistência!
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Bonito! Também costumo ter dessas contrariedades... O importante é não desistir.
P.S. - Queimado ou não, o vestido tem uma cor linda.
Com tanta turbulência, espero que não tenha provocado interferências na felicidade futura dos nubentes!
Aproveito para lhe dizeer que agora também escrevo no Delito de Opinião( com link no Rochedo) Penso que vai gostar do que lá escrevi hoje...
Tanto azar num só dia, uma verdadeira saga!
Uma dica de quem te compreende: no próximo casamento deixa o vestido passado de véspera e todos os acessórios já prontos, ajuda imenso.
Beijinho,
Tita
Mas que grande aventura!
Devias ser condecorada. Eu só de ler fiquei cansada! lol Se me acontecesse uma coisa assim... quando chegasse ja tinham partido o bolo!
http://musicinema-xxi.blogspot.com
visitem ..
Tanto azar junto...desculpa mas dá bem para rir!
Está fantástico o teu texto. Não te invejo estas peripécias...mas se não as tivesses vivido, não tinhas este post para nos escrever.
Fantástico, mesmo...
Ena....ainda ontem eu dizia que o meu dia corria mal, que eram só imprevistos. Este seu dia também foi recheado deles. Casamento inesquecível, esse.
Grande correria, só dramas. Mas parece que te aguentaste bem.Parabéns pelo ramo. Tanta vez não é coincidência.. é um sinal divino ;)
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