30.12.08

Balanço Natalício

Não, não vou escrever de bens materiais que o Natal não é isso. O Natal é vestir umas calças de ganga e ver que as ordinárias tinham encolhido no rabo em qualquer coisa como 2 quilos. Fico maluca. Devem achar que andei com elas na escola! Tenho idade para ser mãe delas!

E ainda falta o fim de ano, um casamento, o meu aniversário e uns quantos outros. De facto, o social não ajuda a manter as formas.

29.12.08

Na outra pele

Este Sábado houve despedida de solteira e lá foram uma série de malucas (sem quaisquer pilinhas na cabeça) rumo a uma disco do momento. Estava sossegadita com as minha piquenas, fumando cigarros em barda, quando a noiva vem ofegante a subir as escadas e grita ao meu ouvido: o T. está lá em baixo, perguntou por ti e diz para vires dançar! Olha, olha... o T., o cabrão que acabou comigo por telefone. Olha, olha... o T. que um ano depois, em vias de voltar, convida-me para sair e aparece com uma megera de 18 anos que andou a beijar uma noite inteira.

Foi curioso como olhei para a minha amiga ao ouvir aquelas palavras e nada senti. O coração não bateu mais forte, a descarga de adrenalina não se fez sentir. Foi o mesmo que me dizerem ontem choveu. E não desci à pista, fiz a minha vida e soube naquele momento que a criatura era claramente um assunto arrumado. Que bom. E finalmente.

Mas a noite não acabou aqui. Poucas horas depois, chegando-me pela esquerda e sem aviso prévio, lá veio o homem de encontro a mim, de sorriso enorme, mais giro que nunca, a perguntar-me como estava, enquanto me fazia festinhas nas minhas costas nuas, a perguntar-me que é feito?, enquanto passava os dedos no meu braço com a leveza de um toque pensado e premeditado. Dez vezes falou comigo, dez vezes deixei pendurado. As minhas respostas eram sim, não, talvez, não dando continuidade a conversa nenhuma, até que parou por segundos, olhando no mais fundo dos meus olhos, com expressão nostálgica, enquanto me segurava no braço.

Passei um dia inteiro a pensar no porquê daquele olhar, até que percebi que tenho de parar de pensar partindo do que eu sou. Ou seja, se eu olhasse para alguém daquela forma definitivamente quereria dizer alguma coisa. Neste caso há que aplicar o put myself in his shoes, concluindo-se que aquele olhar significou coisa nenhuma, raspas e vento, ou melhor, estou solteiro e trazes-me boas memórias. Tenho de ter mais atenção a este tipo de coisas. É que eu sou muito melhor que ele e não devia fazer misturas de carácter.

28.12.08

Do you remember? #33



Century - Lover why - 1986

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

25.12.08

Boas Festas!


Meus queridos e fiéis leitores, coisas mai'lindas! Apesar de não ter deixado um post alusivo à época, houve quem não deixasse de enviar Boas Festas via comment ou e-mail. Que queridos!


Apesar de desejar que esta época passe o mais rapidamente possível, para quem gosta e não gosta, faço votos de um excelente Natal cheio de coisas boas!


Smuack! :)

22.12.08

Verdade #38

- Eu estou tão desiludida e zangada!
- Não te preocupes. És mulher, consegues aguentar tudo isso eternamente.

The Simpsons

21.12.08

Do you remember? #32


The Eagles - Hotel California - 1977

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19.12.08

Declara-te a mim #2

Após algumas óbvias insinuações, optaste pela declaração à antiga, como quem não deixa nada por dizer, como quem fica com a sensação de ter perdido 10 quilos, como quem sabe que fez tudo o que podia e tudo passa a depender do destino e da minha vontade. Achei-te de uma coragem imensa, só te faltou um cavalo branco, foi tudo o que eu sempre quis, mas eu mais pareço a Amália no filme, ajoelhada em frente a um altar de uma qualquer Igreja em Lisboa: "Deus, por favor, faz-me sentir amor por este homem".

16.12.08

Declara-te a mim

Aproxima-se em pés de lã, mas porque já não tem idade para coisas de miúdos, vai de explicar, preto no branco:

"És linda e mereces alguém parecido comigo". E eu, como todas as miúdas, que desejei ouvir isto de alguém com carácter, devia ficar eufórica de felicidade. Mas não, estou só a stressar e a transpirar a camisola, a pensar noutra pessoa. Na pessoa errada.

Já deixava entrar alguma racionalidade no coração, podia ser que me fizesse bem.

15.12.08

Troca aí

Ter uma Directora que passa o dia a dizer "ai pah, tenho de ir «destrocar» dinheiro!" e "ai pah, ainda não fui «destrocar» dinheiro" é coisa para me ir fazendo, aos poucos que é para doer, saltar os olhos das órbitas. É motivo para eu simular o dia em que lhe dou umas lições de português e não só. É motivo para informar a Direcção que esta tipa não devia coordenar equipa alguma.

Apetece-me responder-lhe: "ai pah, «deslarga-me» que não tarda fico cheia de período". Coisa fina.

13.12.08

Do you remember? #31



Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson - 1967

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12.12.08

Na falta de um bilhete

(...) Contigo atravesso campos de batalha, travo duros diálogos e não me faço ouvir. Pedi e pedi, como quem reza as contas de um rosário que me fizesses tanto bem como o que te queria fazer a ti, assim como quem não pede mais do que deve, como quem não abusa, como quem procura uma transacção justa: tanto por tanto.
Fazes do meu peito um cenário de guerra. Cá dentro inquietação, ansiedade, angústia, medo, tanto medo que não voltes. Não largues a minha mão, leva-me contigo que eu não atirei o barco ao mar para ficar pelo caminho.
Se te deixasse um bilhete, não sei o que escreveria. Por isso optei por te deixar um livro.

Lisboa, 14 de Outubro de 2008
Poisoned Apple in Crónicas de Amor (não publicado)

10.12.08

Alimenta-te, filha!

Já há que tempos um homem anda a tentar combinar almoço comigo. Primeiro sou eu que tenho picos de trabalho de loucos e não posso, depois é ele, depois são os miúdos dele, depois é o meu telefone que não pára e por aí fora. Ontem, falou-me em ir lanchar. Então não era almoço?, perguntei. Ao que respondeu:

- Passas o dia a comer alface, à noite ervilhas, empurras tudo com chá, queres que te leve a comer um scone vegetariano?

Não sei que raio de imagem ando a passar. Magra como queria é que não estou!

7.12.08

Do you remember? #30



Suzanne Vega - Luka - 1987

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5.12.08

Aqueles dias

Eu gosto de pensar em mim como amiga dos meus amigos, mas este país parece ter um problema que me provoca urticária: uma coisa são os amigos, outra são os colegas de trabalho. Com estes últimos, posso dar-me bem, rir-me muito, ser uma simpatia, mas não são meus amigos! Há que separar as águas. Uma mão sobra para contar as amizades que ganhei em locais de trabalho. Mais uma vez para não esquecer a lição: uma coisa são colegas de trabalho, antigos ou do dia-a-dia, e outra são os meus amigos.

Isto vem a propósito de na semana passada ter ido falar uma colega de trabalho para perguntar se aquilo estava tratado conforme combinado, burocracias, blá, blá, blá e ela, de "amiga": ai pah, não tratei... esta manhã apareceu-me o período, estou cheia de dores... e o camandro. Fiquei a olhar para ela, de olhos esbugalhados, perguntando-me se alguma vez comentei ou me desculpei com o período menstrual. E a que propósito iria dizer isto a alguém com quem não tenho confiança? Apenas ser gaja vale para tudo?

Como se não bastasse, ontem, a minha nova chefe, carinhosamente apelidada pela minha pessoa de Eva Braun, entre discussão de projectos, vai de desabafar: ai! estou cheia de período! - frase esta inquietante do ponto de vista do bem falar português. "Cheia de período"? O curioso é que estas mulheres são exactamente um exemplo daquelas que, na minha opinião, deixam a desejar envergonhando a minha classe.

Mais informo: não estou com o período nem cheia dele.

2.12.08

Cápsulas

Haveria eu de inventar cápsulas para o esquecimento. Uma que acompanhada por meio copo de água me faria esquecer-te, apagar-te da memória, do coração, toda e qualquer lembrança que me arrasta no tempo, voltar ao tempo imediato que te antecede e então aí viveria, em vez de sobreviver. Fechar o coração, relativizar e abstrair-me do amor é um exercício duro que roça o desumano. No entanto, é do mais humano que há, são as chamadas “coisas da vida”. É constatar da forma mais dura que o amor tem dois lados: um que me dá sentido à vida, assumindo-se como tudo aquilo que me move, outro que inevitavelmente me transforma num poço de tristeza, pela dor a que me atira.

Na maioria das vezes que penso em ti, penso que és um homem errado para mim. Mas o coração leva-me a acreditar que o fracasso é temporário, que o errado se pode tornar certo por tudo aquilo que me deu a conhecer em mim, certo por me fazer escrever, reflectir, dar respostas às perguntas essenciais da minha vida, ainda que essa sabedoria possa revelar-se tantas vezes um conhecimento triste, mas antes a latrina do auto-conhecimento, da improvisada e desajeitada ousadia de uma entrega do que o trono de coisa nenhuma em que te sentas.

1.12.08

Verdade #37

Dia 01.12, estou precisamente a um mês dos 30. Esta é uma perspectiva que me tem corroído, embora sem saber explicar porquê. Do dia 31.12 para o 01.01, não me vai nascer um cabelo branco, não vou acordar com pés de galinha, com as maminhas no joelho, nem com a pele enrugada. Mas a ideia dos 30 tem-me maçado. Há umas semanas, em casa da minha amiga Vizinha percebi o que era: vou chegar aos 30 sem ter tudo aquilo que a estas alturas sempre quis/pensei ter. É uma derrota, uma espera, uma ansiedade ou uma estupidez, certeza só tenho de uma frustração dissimulada que trago em mim.

Do you remember? #29





Chris Isaak - Wicked Game - 1989

(sugestão enviada pela Miss Jones)

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